Situação Atual Regional da Cadeia Produtiva

O Estado do Ceará
Dr. Francisco Férrer Bezerra
Chefe Geral da Embrapa Agroindústria Tropical

Nós vamos fazer aqui uma certa combinação da interferência tecnológica, como também do comportamento do setor empresarial do Estado, como respeita a interferência tecnológica a Embrapa e das instituições de pesquisa. A Epace, a Universidade, Nutec, etc. Nós fizemos uma análise aí dos antecedentes, lembrava bem a vocês, que até 1970, no Estado, a cajucultura era quase que extrativista. Houve um programa iniciado aqui pelo então Governador César Cals, e ele tinha uma meta de incrementar 100 mil hectares de caju no Estado. Inclusive, isso serviu depois como base, através de recursos do Finor, tanto para o Estado do Rio Grande do Norte como para o Estado do Piauí. Nessa década, se você analisar, significa deficiência de tecnologias modernas, plantio por semente e desuniforme e exploração semi- extrativista. Nessa década de 80, eu me permitiria, na minha visão, essa década de 80, eu acho que é o marco para a nova situação da castanha do caju e se caracteriza pela demanda do Estado, no setor forte do Estado, setor produtivo, pela criação de uma instituição de Ciência e Tecnologia. Foi aí nessa década que ocorreu a criação do Centro Nacional de Pesquisa. Também nessa década, já se aproveitando os remanescentes de informações científicas e de conhecimento científico do caju, através da Universidade, através da Epace, através de outras organizações e da própria estrutura do Ministério de Agricultura, você já tinha uma certa informação tecnológica, para a avançar uma modificação na estrutura produtiva do agronegócio do caju, Daí se apareceu nessa década o cajueiro 76, o ano precoce 76, 0906 e 1001, se realmente foi a partir de 1983, esse material foi lançado e começou a ser difundido, tanto no Estado do Ceará como nos o outros Estados vizinhos, principalmente o Piauí, e Rio Grande do Norte. Elevação do Plano de recuperação da cajucultura. Aí eu citei os outros Estados, pela seguinte razão. Com a criação do centro, houve um movimento da Embrapa, que induzia aos Estados, tanto do Rio Grande do Norte quanto do Piauí, a formulação de um programa de recuperação da cajucultura. Do jeito que foi feito no Ceará, inicialmente, com a composição, com a participação da Secretaria de Agricultura, Emater, da Epace e Embrapa também, nós transferimos essa sistemática para os outros Estados. E assim, o primeiro plano do Piauí foi feito com a interferência da Embrapa e o primeiro plano do Rio Grande do Norte, com a interferência da Embrapa junto a Embarn e Emater- Rio Grande do Norte. A inclusão do financiamento cajueiro, o FNE, isso em 1991, 1992, o então Presidente do Banco do Nordeste, Dr. Jorge Lins, no arcabouço do FNE não tinha as três espécies vegetais da letra C: cana-de-açúcar, cacau e caju. Mas, fizemos um trabalho com o Presidente do Banco, e o Jorge Lins disse: "Dê-me subsídios, para que eu possa incluir essa atividade para financiamento no FNE". Nós fomos aos pesquisadores, aqui o Dr. Pedro Filizar, que está presente, Dr. Luiz Antônio, prepararam esse documento, fomos ao banco e o banco começou a incluir. Também isso resultou em um seminário que fizemos na FIEC, em que o Banco do Nordeste foi altamente criticado por essa exclusão, por não colocar o caju como uma das atividades para financiamento pelo FNE. A saída, a sugestão desse grupo, desse seminário na FIEC, é que nós fizéssemos gestão junto ao banco, inclusive ao próprio representante do banco à época, lá o Dr. Vicente Maia, nós fomos ao banco e realmente conseguimos nesse tempo. Técnicas de enxertos por borbulhia. Até então não se conhecia para a espécie, caju, ou não se praticava, poderemos dizer assim, a enxerto por borbulhia, até na parte de garfagem. Graças a Deus, a autora dessa técnica é a nossa coordenadora, que já deu sinal ali para nós. Foi ela que começou a viabilizar. Quando o Dr. Carlos Prado apresentou aqui ontem aquela cobertura, aquele girau em cima de uma planta para sombreamento, era porque se fazia por garfagem.Com a técnica da borbulhia, foi feito a céu aberto. Então, isso aí foi um tento que se marcou para a melhoria da cadeia, do sistema produtivo do caju. A produção de mudas em tubetes com peso de 250 gramas. Vocês viram ontem em escala; Dr. Carlos Prado iniciou isso, a partir de 1991, 1992, depois de uma visita que fizemos a São Paulo, recebemos o material começamos o teste. A Dra. Maria Pinheiro já começou a testar substrato, viu o que era mais viável, etc, e nós chegamos hoje com uma definição de substrato, que já está sendo de domínio público hoje essa informação, com mudas de tubetes de 50 gramas. Vejam bem, as mudas inicialmente, produzidas em saco de 8 quilos, com a interveniência do conhecimento, passamos para 2 mil e 500 quilos e hoje já com prática, para 250 gramas. Ou seja, é uma redução fabulosa; incide em transporte, substrato, etc. A técnica de substituição de copas, já hoje é uma realidade. Nós já temos empresas aqui com 100, 120 hectares de substituição de copas, inclusive com variedades, com materiais clonais aí, já apresentados, com exceção do 0,6, que não é um material para produção, é um material para cavalo. O desenvolvimento de novas técnicas de irrigação. Em 1994, dois pesquisadores do centro e um da universidade, hoje é pro-reitor, eles elaboraram um subprojeto, projeto de pesquisa, que visualizava a irrigação em cajueiro. Eles foram chamados de doido. "Ora, quem vai irrigar caju"? E hoje nós temos essa realidade com alto índice de produtividade, de chegar a 4, 5 toneladas de hectares de caju e castanha por hectare. Usos e alternativas do pedúnculo. Esse nós estamos vendo que é um caso. Inclusive, isso poderá ser, sem dúvida nenhuma, uma das indicações dentro dos temas de trabalho, um melhor aproveitamento do pedúnculo. Por que? Porque 94% do pedúnculo se perdem e nós já temos uma simples terminologia, acho que alguns daqui conhecem, principalmente para o uso do suco, que é o suco do caju clareficado e gaseificado. Tem uma boa qualidade, falta o empreendedor para investir nisso. Eu sei que já tem alguns empresários querendo isso, até o Dr. Fernando Abreu já esteve aqui pela manhã e vai participar inclusive amanhã, no tema, a parte de processamento. Clones/ embrapa, 50, 51. Esses materiais já têm domínio, já está bem difundido aqui nos Estados. O 51 tem uma castanha maior do que o 76, e também tem uma qualidade de ter baixo teor de tanino, é um caju que também serve para a mesa, quando ele está naquele sistema de consumo da maçã. Mini fábrica de processamento da castanha. Isso daí também é um resultado de um trabalho feito em conjunto com a pesquisa, o produtor e o empresário. Eu chamaria aqui mais precisamente, qualificaria a Embrapa, o Grupo J. Macêdo, através da Coopan e os conhecidos "Chicos" da Epace. Essa tecnologia foi toda gerada em função dessa parceria e eu considero uma parceria bem sucedida. Isso já está difundido, e vocês vão ver lá na frente o benefício que isso trará para as pequenas associações de produtores de caju. Principalmente, isso estaria dentro de uma agricultura familiar, uma agroindústria familiar. Criação do PEE/Camex. Isso aqui eu acho que marca uma história para nós. Em 1998 – vou repetir isso, apesar do Dr. Ronaldo já haver falado – a FIEC teve essa capacidade, através dessa organização feita pelo Ronaldo, gerar um papel, que foi o documento do planejamento estratégico do setor da agricultura do caju, que na verdade, quem alavancou tudo, até hoje, de 1998 para cá, tem sido esse documento. A situação atual da cajucultura. Nós consideramos o setor produtivo com baixo nível de organização. Eu acho que essa própria reunião nossa aqui, vai refletir nisso, nós não temos organização, e vamos nos organizar daqui para frente, para termos melhores resultados. Baixa produtividade, dos 380 mil hectares de caju que temos no Estado, e se extrapolar 700 mil numa região, numa média de 200 quilos por hectare de castanha. Se pudermos chegar com esses níveis tecnológicos que vocês estão vendo aí, poderemos chegar aí com 400, 600, 800, 1.200, só em regime de sequeiro. E se fazemos irrigação, chegarmos aquele nível que falei anteriormente, na base de 4 toneladas de castanha por hectare. Baixa qualidade da castanha comercializada. Desculpem-me os empresários que compram esse material, eu já visitei vários estoques de fábricas que, a diversificação da matéria prima, a qualidade da matéria prima que chega na boca da fábrica, é de péssima qualidade. Inclusive, às vezes compramos um material, que deveria ter 100% de amêndoa, dentro da castanha, da cápsula, na verdade, aqui não tenha nem 50%. Atividades. Primeira, todas as atividades da colheita e pós-colheita, o transporte da fábrica e o armazenamento na fábrica, armazenamento antes no campo e depois o armazenamento na fábrica, ataque de fungo, bactéria etc., nesse material, inclusive, me desculpem vocês, já conversei com os empresários, isto é uma realidade, se nós pegamos hoje a Itaueira, com 600, 800 hectares de caju que ela tem, de anão precoce, vocês vêem que o material é quase todo do mesmo tamanho. Deveria ter três tamanhos, se fôssemos analisar. Diferente do que chega no chão da fábrica, com 10 tipos diferentes do Cajuí ao Castanhão. Baixo aproveitamento do pedúnculo e o setor industrial com capacidade ociosa, alta capacidade ociosa, o instituto agroindustial está com a capacidade ociosa. O Dr. João Hudson na palestra dele mostrou que das 27 empresas, 22 no Ceará, 3 no Rio Grande do Norte e 2 no Piauí, menos de metade disso está funcionando. Sem dúvida nenhuma, uma das causas deva ser a oferta de matéria prima. Falta de capacitação dos produtores, para o uso de novas tecnologias. Esse aí vai ser um assunto muito importante, para que nós continuemos, a partir desse evento, trabalhando com os sindicatos, com as cooperativas, sistemas de extensão, com as federações, no sentido de capacitar esses produtores no uso dessas tecnologias que nós temos. Oferta de mudas selecionadas, é bastante reduzida. Para vocês terem uma idéia, nós começamos a formar aqui uns grupos de produtores de mudas; a Itaueira, a Coopan, a Coopaglan, porque a Embrapa só, ela não tem a função de ser produtora de mudas, para o produtor, em geral, ela sim, tem uma função de ser produtora de materiais genéricos para a formação de jardins clonais. Eventualmente, estamos produzindo em torno de 100, 120 mil mudas de cajueiro anão precoce, por ano. Mas, isso não é a nossa missão, pedimos que essa missão ficasse na mão do viveirista. E aí, nós estávamos com todas as técnicas de produção de mudas competentes, e direcionadas pelo Ministério da Agricultura e as outras instituições envolvidas nesse processo. Elevado índice de produção entre o produtor e o processador. Isso daí mata, mas esse é o modelo que nós temos. Quando essa castanha chegar na fábrica, às vezes ela passa por 1, 2, 3 pessoas, para cair no intermediário, cair na fábrica. Isso, sem dúvida nenhuma, também é uma maneira de induzir a baixa qualidade da matéria prima, que entra na porta da fábrica. Potencialidade da cajucultura no Estado. Aí tem um item, fiquei na dúvida, mas vou botar, porque o Secretário de Agricultura Irrigada disse: "Nós temos e vou desafiar vocês com 1000 hectares no meu programa, 1000 hectares de cajueiro anão irrigado; isso é muito ou é pouco?" O Dr. Jaime Aquino está plantando hoje, já tem plantado, 2.274 hectares de cajueiro fertirrigado. Ele mesmo, num trabalho, naquela curiosidade dele de grande produtor, ele disse: "eu quero que a Embrapa faça clonagem desses materiais, tais e tais". José Martins Lindolfo, o homem da Acione aqui. José Martins Lindolfo e nós fizemos a clonagem desse material gigante, material que está já lá plantado, na visão dele, material de castanha grande, e é um material de amêndoa grande, mas às vezes nem sempre é assim. E por incrível que pareça, um material desse florou e está florando, no enxerto, com 180 dias de enxertado. Isso aí para mim foi uma curiosidade, eu vi isso há duas semanas. Fui lá no campo, lá no viveiro ver isso. Não era um exemplar não, tinha vários exemplares com essa precocidade, é um material gigante. Ele já tem isso; grave-se, aquele Canal do Trabalhador aqui do Ceará, em um determinado momento, vai se servir para a agricultura irrigada. A questão é puxar um canal de 15 metros por segundos, para sair ali na linha do Pirangi e aquele canal da parte de Pacajus até chegar em Itaiçaba, vai servir às margens dessa terra, possivelmente, para uma fruticultura irrigada. Existência de agroindústria com capacidade para 300 mil toneladas. Se não me engano, o Dr. João Hudson me deu esse índice hoje, nós vimos aqui 300 mil toneladas. Existência de ordem financeira de assistência técnica, pública e privada, e existência de clones capazes de elevar o rendimento da castanha para caju; uma tonelada por hectare de sequeiro e 4,5 toneladas em sistema de irrigação. Bom, nós já apresentamos essa série histórica aí, para vocês terem idéia, do que a área plantada, nessa evolução de 1975 a 1998, você vê o comportamento desses anos aqui, 1997 a 1998. Ocorre sem dúvida alguma no que diz respeito ao rendimento por hectare, a mesma coisa você vê o comportamento e na área colhida, realmente opera uma coisa diferente do que está acontecendo no rendimento e na produção. São causas que nós temos que analisar; nós não temos uma estatística precisa dessas áreas plantadas. A própria organização dos produtores vão induzir para que façamos isso, para que tenhamos um controle mais seguro. Nós usamos aqui as estatísticas do IBGE, que é oficial e temos que confiar nela, mas temos que fazer um trabalho, inclusive, de previsão de safra. Isso aí eu já discuti há uns seis anos, lá na sala do sindicato, durante umas três horas, para começarmos um trabalho em consonância, em parceria com o IBGE. Nós temos que ter uma precisão, uma amostragem precisa, para interferirmos nas informações. Isso aí é uma visão mais do nosso pensamento, dessas coisas que temos participado, nessas reuniões no Nordeste inteiro, principalmente nesses três Estados e mais recentemente, estamos entrando no Estado da Bahia. Eu já fui duas vezes lá com a Empaba, e Secretaria de Agricultura e também, empresários da Região de Praga, de Brejos da Barra e Ribeira do Pombal. Uns dizem que lá tem 25 mil toneladas, outros dizem que tem 15, João Hudson diz que compra 20, que entra no Ceará 20 mil toneladas; para vocês vêem, a falha estatística. Que nós tivéssemos visão, o que é que esses pontos que inclusive, acho que servirão de base para as discussões dos nossos grupos sistemáticos. Integração do segmento produtor, processador. Nós temos que fazer isso, inclusive dentro daquele princípio que se falou, tempo ágil, valor diferenciado para aquela matéria prima de melhor qualidade. A matéria prima de melhor qualidade, vai nos dar um produto sem dúvida, uma amêndoa de melhor qualidade. Organização dos produtores e dos industriais, no sentido de ter uma cadeia com fluxos mais ou menos organizados. Inovações tecnológicas do parque industrial. Precisamos fazer algumas inovações. Nós hoje estamos dando uma consultoria aos Irmãos Fontenele, treinando 400 pessoas, tem toda a parte de controle de qualidade. A empresa se abriu para esse tipo de trabalho e nós estamos dando dentro do nosso grupo de tecnologia de alimentos, com a Dra. Fátima e a Dra. Socorro Bastos. Um novo modelo de gestão do processo. Isso aqui já se falou, inclusive já estamos discutindo, para que isso seja tema também dentro dos grupos temáticos. Diversificação do uso do pedúnculo, com a promoção da marca Brasil e abertura de novos mercados. Isso dai, é importante. Acho que para as nossas discussões daqui para a frente, nós teremos de trabalhar dentro desse sistema. No Estado do Ceará, a nossa vocação mais ou menos do Estado, é essa Região do Litoral. Isso aí representa mais ou menos 75%, 80% da produção de caju, que desse Pólo de Camocim a Acaraú, Itapipoca, Cascavel, Aracati e Baixo e Médio Jaguaribe. Então, a nossa distribuição desses 380 mil hectares, mais ou menos 360 mil, 80%, estão nessa faixa aqui. Significa que tem outras coisas aqui pelo Cariri, talvez aqui pelo Sertão Central e a Região Leste. Então, muito obrigado a vocês.(Aplausos)

SRA. COORDENADORA:
      Agradecemos ao Dr. Férrer. Encerramos esse módulo, e achamos na nossa visão, que realmente, ele cumpriu, atingiu seus objetivos. Nós tivemos aqui uma riqueza de informações, trazidas por cada representante dos diversos Estados e com certeza essas informações serão valiosíssimas e subsidiarão o trabalho de grupo que teremos amanhã. Portanto, a todos os palestrantes os nossos agradecimentos. Passamos a palavra ao próximo Coordenador. Muito obrigado a todos, pela paciência. (Aplausos)