O novo chefe-geral da Embrapa Agroindústria Tropical é o engenheiro-agrônomo Lucas Antonio de Sousa Leite. O anúncio foi feito na quarta-feira (11) pela Diretoria-Executiva (DE) da empresa. Mestre em fitotecnia pela Universidade Federal do Ceará e doutor em economia pela Unicamp, Lucas Leite faz parte dos quadros da Embrapa desde 1976. Há 20 anos está lotado na Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza, onde ocupou, entre os anos de 2004 e 2008, o cargo de chefe-geral. Assumiu novamente a função, interinamente, entre abril e agosto de 2013, em substituição a Vitor Hugo de
Lucas Leite considera o modelo de seleção de chefes na Embrapa um exemplo para a administração pública brasileira. O processo - aberto até mesmo para candidatos que não fazem parte do corpo funcional da empresa - envolve análise curricular, defesa pública do plano de trabalho, avaliação por um Comitê formado por integrantes da Embrapa e de parceiros externos, e entrevista com a Diretoria Executiva.
A proposta de trabalho apresentada por Lucas Leite tem como pontos principais a articulação com parceiros estratégicos, o alinhamento interno da programação e o foco no desenvolvimento de produtos, processos e serviços competitivos para a sustentabilidade da agroindústria tropical. Para construir a proposta, o pesquisador levou em consideração a documentação normativa do processo de seleção, os referenciais estratégicos constantes do V Plano Diretor da Embrapa e do Plano Diretor da Embrapa Agroindústria Tropical.
O primeiro ponto destacado na proposta refere-se ao fortalecimento da articulação de parcerias estratégicas, dentro e fora da Embrapa, que atuem na complementação de competências para viabilização dos desafios e objetivos pretendidos. “Constitui uma ação que pretende alargar os limites da capacidade de contribuição da Unidade e ao mesmo tempo refinar o foco de atuação”.
A estruturação da programação interna envolve o alinhamento das pessoas e equipes, a gestão da carteira de projetos de pesquisa, a agenda de trabalho dos laboratórios e a viabilização da carteira de desenvolvimento tecnológico. O entrosamento entre pesquisadores e analistas envolvidos com a pesquisa e com a transferência de tecnologia constitui, a seu ver, um aspecto fundamental para estruturar a articulação com a iniciativa privada e organizações sociais, bem como, com as políticas públicas, de forma a promover a inovação.
O terceiro ponto destacado na proposta de trabalho refere-se à ênfase ao macroprocesso de produção da empresa. Lucas Leite explica que esse macroprocesso envolve a inteligência estratégica, a pesquisa, o desenvolvimento e validação tecnológica, como forma de viabilizar tecnologias, processos, produtos e serviços. Dessa maneira, conforme o pesquisador, obtêm-se elementos para materializar o intercâmbio de conhecimentos, a comunicação e a transferência de tecnologia com o objetivo viabilizar a inovação no meio produtivo real.
Essa lógica, no entanto, não significa o envolvimento direto da Unidade em todas as etapas de um processo tecnológico. Para Lucas Leite, ela pressupõe o forte envolvimento de parceiros estratégicos que podem atuar na finalização de produtos, podendo a Unidade ser protagonista de ativos pré-tecnológicos em alguns campos de sua atuação. “No futuro o país vai continuar obtendo ganhos com as commodities agropecuárias, mas temos um potencial imenso para incorporar novos produtos e processos por meio da valorização da biodiversidade brasileira, a exemplo de alimentos funcionais, novos processos agrícolas e agroindustriais, novos materiais, bioprodutos, dentre tantos outros”, explica Leite.

Texto
Verônica Freire (MTB 01225JP)
Embrapa Agroindústria Tropical
veronica.freire@embrapa.br
(85) 3391.7116