Técnicos da prefeitura de Crato (CE) e representantes das comunidades daquele município participaram, na quinta-feira passada, dia 20, de um dia de campo sobre a produção da pasta de pequi. O produto pode ser utilizado em pães e torradas, ou mesmo para substituir o fruto no preparo de tradicionais pratos como baião de dois e arroz de pequi. Além disso, a pasta por ser armazenada por até oito meses.
Pesquisadores e técnicos da Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza CE) que desenvolveram o produto repassaram a técnica no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE) Crato, onde funcionava a antiga Escola Agrícola. Participaram 40 pessoas da Associação Sítio São José, do município de Crato, e da Associação de Catadores de Pequi de Cacimbas, de Novo Horizonte.
Como explica a pesquisadora Elisabeth Barros, existe uma demanda reprimida por produtos derivados de pequi com boa qualidade e com vida de prateleira mais extensa. Segundo ela, no Nordeste o pequi é consumido basicamente in natura e durante a safra. “Um dos únicos produtos é o óleo, que é feito de forma artesanal”, diz.
Para aproveitar melhor o pequi, foi desenvolvido o projeto “Alternativas tecnológicas para agregação de valor ao pequi da Chapada do Araripe (CE)”, cujo principal produto foi a pasta de pequi.
No dia de campo, os catadores foram orientados sobre as normas de boas práticas de fabricação do produto, que é uma forma de agregar valor ao fruto, além de reduzir as perdas pós-colheitas. “O produto também pode viabilizar a expansão do mercado, pois o pequi geralmente é mais consumido apenas nas regiões produtoras”, diz a pesquisadora.
De acordo com o assistente Leto Saraiva, "os participantes ficaram surpresos com o método de despolpa, que é feito com o cozimento a vapor. Antes, para realizar a despolpa, eles cozinhavam o pequi em água”.
O dia de campo contou com o apoio do Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec) de Juazeiro do Norte, da Cooperativa da Construção Humana – Casa Lilás, de Crato; do Instituto Chico Mendes e dos IFCEs de Crato e de Iguatu.

Texto
Verônica Freire (MTB 01225JP)
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