O queijo de coalho nordestino pode obter status semelhante ao de produtos como o café do cerrado, a cachaça de Paraty, o vinho do Vale dos Vinhedos, além do presunto de Parma, do champagne ou do charuto Havana. Para discutir o processo de indicação geográfica do produto, pesquisadores e produtores estarão reunidos no I Encontro da Cadeia Produtiva de Queijo Coalho do Nordeste, realizado nos dias 26 e 27 de novembro, na sede da Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza - CE. No encontro, serão abordados diversos aspectos da indicação geográfica, as normas do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e demonstrados casos de sucesso do Brasil, França e Portugal.
Como explica a coordenadora do evento e pesquisadora da Embrapa, Socorro Bastos, o selo de indicação geográfica tem como função tornar explícitos para o consumidor os padrões de qualidade de determinado produto, associados às características geográficas e culturais de determinada região, além de proteger a tradição de fabricação. No Brasil, até agora, apenas os vinhos do Vale dos Vinhedos, a cachaça de Paraty, o café do Cerrado e a carne dos Pampas Gaúchos obtiveram a certificação. “Na Europa, existem mais de 2 mil queijos, fora outros produtos, com indicação geográfica”, salienta Socorro Bastos.
Para obter o selo é preciso que o produto cumpra com uma série de exigências, que envolvem organização dos produtores, Boas Práticas Agropecuárias, fama, reputação e cumprimento da legislação vigente. “O queijo de coalho do Jaguaribe, por exemplo, é um produto tradicional e reconhecido pela população que tem potencial para obter o selo”, diz Socorro Bastos.

PROJETO DE PESQUISA - Socorro Bastos lidera, há dois anos, um projeto de pesquisa da Embrapa que busca a valorização do queijo de coalho nordestino por meio da indicação geográfica. Entre os parceiros do projeto estão a associação Queijaribe; o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; universidades; Sebrae e Institutos Federais de Educação Tecnológica. Os parceiros do projeto estão atuando para preparar os produtores para o cumprimento do protocolo do INPI.
Além disso, o projeto pretende desvendar as características moleculares dos queijos de coalho de diversas regiões do Nordeste, mostrando que as características da região interferem nas características do produto. “O clima, a alimentação animal, diversos fatores interferem nas características do produto. Vamos identificar, em nível molecular, os marcadores dessas diferenças”.

Mais informações: www.cnpat.embrapa.br/queijocoalho/

Verônica Freire (MTB CE 01225-JP)
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