A busca por uma alimentação sadia tem levado diversos países a restringir o uso de corantes artificiais nos alimentos. No caso da Europa, essa utilização já foi totalmente banida, e a previsão é que, em 2010, seja também proibida nos Estados Unidos. Essa tendência despertou o interesse em se investir em alternativas para a coloração de alimentos. Uma pesquisa desenvolvida pela Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza/CE), em parceria com o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD), na França, aponta o caju como uma rica fonte de carotenóides – moléculas de alto interesse para a indústria de alimentos, por suas propriedades pro-vitamínicas e corantes de cor amarela.
Segundo o engenheiro de alimentos da Embrapa Agroindústria Tropical, Fernando Antonio Pinto de Abreu, o mercado mundial de carotenóides gira em torno de US$ 1 bilhão e está crescendo à base de 3% ao ano. Ele explica que, até o momento, os carotenóides utilizados são provenientes do urucum, do açafrão e da cúrcuma. “O interessante é que esses carotenóides conferem uma coloração amarelo-alaranjado. Já os carotenóides do caju promovem uma coloração amarelo-claro. É o único produto que possui esta cor”, destaca.
A matéria-prima utilizada para a extração do carotenóide é o resíduo da extração do suco do caju. De acordo com Fernando Abreu, o estudo começou em meados de 2001 na Embrapa Agroindústria Tropical e já teve a solicitação de patente requerida junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Ele acredita que a tecnologia vai alavancar o agronegócio caju, diminuindo também o desperdício do pedúnculo.
O engenheiro de alimentos explica que os trabalhos de obtenção, concentração e purificação de carotenóides estão utilizando a técnica de microfiltração em membranas cerâmicas. “A utilização de membranas é uma técnica bastante utilizada para a concentração a frio de materiais sensíveis ao calor, como são os carotenóides, A vantagem do uso dessa técnica é a de manter maximizada sua atividade e a integridade das moléculas trabalhadas”, esclarece.
Durante a apresentação, Fernando Abreu vai mostrar também os resultados referentes à caracterização do perfil de carotenóides do extrato de fibras de pedúnculos de caju por técnicas de CLAE (cromatografia líquida de alta eficiência), nos quais cerca de16 moléculas de interesse como corante de uso na indústria de alimentos e bebidas - dentre elas o beta-caroteno, alfa-caroteno, luteína e beta-criptoxantina alimentar, - foram identificadas nos extratos.