A Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza-CE), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, iniciará as atividades do Laboratório de Química de Produtos Naturais, no próximo mês. A nova infra-estrutura de pesquisa científica é resultado de uma parceria da Embrapa - que liberou R$ 80 mil do seu Macroprograma 3 (Desenvolvimento Tecnológico Incremental do Agronegócio) - com o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), que destinou R$ 118 mil.
De acordo com o pesquisador e coordenador do laboratório, Flávio Pimentel, a partir de agora será possível executar algumas ações que antes eram realizadas em outras instituições de pesquisa, como a extração de substâncias vegetais (extratos e óleos essenciais, etc), isolamento e caracterização química de metabólitos (compostos) secundários, além do desenvolvimento de produtos biologicamente ativos voltados para o controle integrado de pragas e doenças no campo, ou para o controle microbiológico na indústria de alimentos.
Nos projetos aprovados, serão desenvolvidos produtos bioativos para o controle de pragas e doenças do meloeiro. Atualmente, esse procedimento é feito por meio do uso de agrotóxicos. Segundo Pimentel, o objetivo é criar uma alternativa ecologicamente correta aos produtos sintéticos (tóxicos), substituindo-os por produtos naturais. As pesquisas serão realizadas em parceria com as Universidades Federal do Ceará (UFC) e do Semi-Árido (Ufersa), envolvendo empresas privadas.
Na área industrial, as ações de pesquisa serão voltadas para a avaliação do potencial olfativo de espécies vegetais aromáticas de ocorrência natural ou cultivadas no Bioma Caatinga, para atender as demandas das indústrias de aromas e fragrâncias. Nesse sentido, a Embrapa Agroindústria Tropical está negociando uma parceria com duas empresas desse setor para o desenvolvimento de novos produtos.
Plantas Medicinais
Além de promover a criação de novos produtos destinados às atividades agrícolas e industriais, esse laboratório funcionará também como suporte às pesquisas que permitirão o desenvolvimento de um sistema de cultivo para produção de matéria-prima de espécies medicinais, recomendado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com padrão de qualidade. O sistema irá permitir que as plantas sejam produzidas em larga escala, sem perder suas propriedades fitoterápicas.
Para o fornecimento de matérias-primas a serem pesquisadas, um horto de plantas medicinais está sendo implantado na Unidade. A pesquisadora Rita de Cássia Pereira, que é coordenadora do projeto, está atualmente cultivando várias 22 espécies recomendadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Dentre outras atividades, a pesquisadora vem analisando as propriedades biológicas de três espécies de manjericão. O estudo servirá como base para o desenvolvimento de um controle microbiológico dos alimentos.
Relação de plantas medicinais cultivadas no horto da Embrapa Agroindústria Tropical:
Açafrão
Acerola
Agrião bravo
Agrião do brejo
Alecrim pimenta
Alfavaca-cravo
Babosa
Capim citronela
Capim santo
Chambá
Cidreira
Colônia
Confrei
Eucalipto medicinal
Guaco
Hortelã japonesa
Hortelã rasteira
Malva santa
Malvariço
Mentrasto
Moringa
Romã

Ricardo Moura (DRT 1681CE JP)
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